quinta-feira, 11 de julho de 2013

Museu da Língua Portuguesa homenageia cronista Rubem Braga

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, realiza uma exposição comemorativa do centenário do cronista Rubem Braga. A exposição chama-se “O fazendeiro do ar”. O período de visitação vai de 25 de junho a 01 de setembro de 2013. 
A exposição exibirá textos, documentos, desenhos, fotografias, correspondências, depoimentos em vídeo e objetos pertencentes ao escritor. 
A a exposição tem a curadoria do escritor, jornalista e cronista Joaquim Ferreira dos Santos, e está dividida em módulos temáticos. O primeiro é Retratos, que mostra a infância de Rubem Braga em Cachoeiro do Itapemirim, sua cidade natal; o outro módulo chama-se Redação, e mostra a experiência do cronista como repórter e redator de jornais; o terceiro módulo chama-se Guerra, e mostra sua participação como correspondente de guerra, na Itália; Passarinhos é o quarto módulo, e mostra sua paixão por pássaros, paixão que se reflete nos seus textos; o último módulo é Cobertura, e mostra a cobertura que o cronista tinha em Ipanema, tentando trazer o mundo rural para a selva de concreto.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A poesia de Walt Whitman

Walt Whitman é um importante poeta norte-americano que só se tornou mais conhecido no Brasil graças ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, que tinha Robin Williams no papel de um professor de literatura americana.
A importância de Walt Whitman, o “poeta da Liberdade”, pode ser vista no poema que Fernando Pessoa, um dos maiores poetas de língua portuguesa, dedicou a ele, por intermédio de um de seus heterônimos mais famosos, Álvaro de Campos. Em sua, “Saudação a Walt Whitman”, Pessoa/Campos escreveu:

“Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais... [...]
E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica.
Nos teus versos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,
Não sei se o meu lugar real é o mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural.”

Um poeta da estatura de Walt Whitman não podia deixar de ter sua obra publicada no Brasil. Porém, somente após 113 anos de sua morte, a Editora Martin Claret publicou a edição completa de “Folhas de Relva”. Uma edição que faz justiça a um dos maiores nomes da poesia norte-americana e – por que não dizer? –, mundial.
Em 1855, Whitman publicou, às suas custas, o que se tornaria a primeira edição de “Folhas de Relva”, compostas por apenas 12 longos poemas. O livro, entretanto, causou estranheza e criou algumas polêmicas, sendo criticado severamente pelos críticos da época.
Assim como ocorria no Brasil, os escritores e poetas pré-Whitman baseavam seus escritos no modelo europeu – no Brasil, essa tentativa de ruptura veio a ocorrer apenas no Modernismo. Whitman inovou, iniciando uma poesia “moderna”, rompendo com a subjugação ao modelo europeu até então utilizado. Foi um poeta inovador na escrita e nos temas abordados. Em seus versos, deu voz a grupos que antes não tinham voz; cantou o cotidiano, a vida simples, a natureza americana, o século em rápida transformação. Cantou também o corpo e o desejo, a sensualidade latente, mas que permanecia oculta sob uma camada de “verniz social”, subordinada às convenções de sua época.
Whitman cantou o seu tempo. Assistiu in loco às diversas mudanças pelas quais passava os Estados Unidos, tais como a Guerra de Secessão e o crescimento industrial e econômico do país em meados do século XIX, mudanças estas que não se refletiam apenas na paisagem, mas também no pensamento e no comportamento das pessoas. Nos seus poemas, Whitman nos mostra estas transformações, o crescimento das cidades, os novos meios de transporte, os bairros pobres que surgem com a industrialização.
Mas Whitman não se limitou a ser, apenas, o poeta do ‘social’. Assim como William Blake, considerado um visionário, por uns, e um louco, por outros, Whitman cantou a exaltação mística. Não essa pretensa exaltação que se vê nas Igrejas, mas sim a comunhão com a natureza, com todas as coisas que existem, num quase paganismo que o faria ser queimado na fogueira da Inquisição, em outra época. Whitman pode ser considerado o que se chama de monista. A diferença entre um monista e um monoteísta é que, para este, existe um único Deus; para aquele, só há Deus. Deus está em tudo, ao mesmo tempo em que transcende a tudo. Para os monistas, esta seria a explicação das palavras de Jesus, quando Ele nos diz que “Eu e o Pai somos um. Eu estou no Pai e o Pai está em Mim, mas o Pai é maior do que Eu”. Este pensamento é reforçado pelo filósofo Espinoza, quando afirma que “Deus é a alma do Universo, e o Universo é o corpo de Deus”.
Nos seus poemas, Whitman exalta essa união do ser humano com a natureza, com o Sol, com o calor e o frio, com os sons e os cheiros do mundo, num êxtase quase místico. Uma verdadeira exaltação à Vida. Para Whitman, ninguém precisa ser um ermitão, morando sozinho em uma montanha isolada, para atingir a comunhão com Deus. Deus está ao nosso redor, está nas árvores, no ar, no Sol, nas pessoas próximas a nós.  
Muitos dizem que Whitman era o poeta das massas e da democracia. Porém, mais do que isso, Whitman era o poeta do Eu, da individualidade perdida na coletividade, mas ainda assim uma individualidade. Um Eu que procurava se destacar da massa anônima confundida no rebanho. Pode-se perceber esta mesma característica nos poemas de Fernando Pessoa, um admirador confesso de Whitman.
Whitman parecia querer “acordar” as pessoas para que elas tivessem consciência dessa individualidade. Em um mundo que estava se tornando automatizado demais, mecânico demais, até mesmo as pessoas começavam a agir de modo mecânico e automatizado. Whitman parecia amar as pessoas, indiferentemente, independente de ser homem ou mulher, adulto ou criança, branco ou preto. Seu monismo latente o fazia ver a todos como irmãos, por isso esse ardor social, democrático, que permeia seus versos. Mais do que um gesto político, seus poemas exaltam essas individualidades ligadas à Unidade.
Para ele, dizer que todos somos iguais, mais do que um aspecto legal ou pieguismo religioso, era a pura verdade.                   


sábado, 29 de junho de 2013

Blatter elogia Copa das Confederações, mas admite “espanto” com protestos

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, elogiou, ontem, a organização da Copa das Confederações, mas admitiu “espanto” com as manifestações que ocorreram durante o evento.
A verdade é que o presidente da FIFA não está acostumado a ver as ‘falcatruas’ da poderosa e milionária entidade serem criticadas, principalmente durante importantes eventos patrocinados por ela. As denúncias sobre supostos acordos ilícitos com empresas que patrocinam seus eventos, desvio de dinheiro para contas particulares e, até mesmo, casos de possíveis fraudes em jogos sempre acabaram arquivadas e os responsáveis nunca foram punidos.
Um dos casos mais graves seria o ocorrido durante a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando o país estava sob regime militar. Para diminuir o descontentamento da população, o regime militar argentino, sob as bênçãos do então presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange (por sinal, sogro de Ricardo Teixeira, ex-mandatário da CBF), realizou o Mundial, mesmo passando por uma crise econômica. E, para deleite dos militares no Poder, a seleção Argentina sagrou-se campeã do torneio graças a uma goleada de 6X0 sobre a seleção do Peru, ultrapassando o Brasil no saldo de gols e indo à final (o Brasil, um dia antes, vencera a Polônia por 3X1, e acabou disputando o terceiro lugar).    
Esse Blatter é o mesmo que, no início das manifestações, disse que, caso a seleção brasileira fosse campeã da Copa das Confederações, o povo esqueceria os protestos. Essa é a FIFA, que usa uma paixão do povo, o futebol, para fazer seus negócios escusos sem ser questionada. Para Karl Marx, a religião era o “ópio do povo”. Para Blatter, é o futebol.
Só podemos esperar que esse vaticínio nefasto do presidente da FIFA não se concretize e o povo não volte ao seu estado de letargia e indiferença diante da corrupção dos governos, superfaturamento de estádios e promessa de obras de uma mobilidade urbana que ninguém vê. E que esse “despertar” do povo brasileiro – que já conseguiu expulsar do Poder um presidente corrupto, caso de Fernando Collor de Mello, que teve o impeachment decretado após protestos dos ‘caras-pintadas’ – se manifeste nas próximas eleições, não reelegendo essa mesma ‘corja’ que aí está, mesmo que o Brasil seja campeão da Copa do Mundo em 2014!     


quinta-feira, 27 de junho de 2013

FLIP 2013 começa dia 3 de Julho

A Feira Literária Internacional de Paraty – FLIP começa dia 3 e vai até o dia 7 de julho. Em sua 11ª edição, a festa literária mexe com a pequena e quase bucólica cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, que se agita com a presença ilustre de escritores e de centenas de turistas interessados em literatura, em conhecer a cidade e em participar da festa.
A organização do evento estima que a FLIP deste ano deverá atrair entre 20 e 25 mil pessoas, aproximadamente, mais ou menos o número de pessoas da edição passada.
O escritor alagoano Graciliano Ramos será homenageado na edição deste ano. Se fosse vivo, o escritor teria completado 120 anos em outubro do ano passado.
A feira deste ano não contará com tantos nomes de peso, como na edição passada, mas trará escritores de porte, como o polêmico francês Michel Houellebecq, além de nomes não tão conhecidos do grande público, como John Banville, Karl Ove Knausgård e Lydia Davis.

A feira é uma grande oportunidade para que leitores passem a conhecer autores menos badalados, mas nem por isso menos interessantes, além de servir para o fechamento de grandes negócios por parte das editoras, tanto nacionais quanto estrangeiras.   

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cinema ajuda público brasileiro a conhecer obras de autores estrangeiros

Um fenômeno interessante vem ocorrendo no Brasil em relação à literatura: autores importantes e cultuados em vários países só passam a ser conhecidos no Brasil quando têm suas obras transportadas para o cinema, ou quando são citados em filmes de grande sucesso.
Isso aconteceu com o poeta americano Walt Whitman, que teve sua obra mais conhecida do público brasileiro após a exibição do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, com Robin Williams no papel de um professor de literatura, o qual citava trechos de poemas de Whitman, além de haver um retrato do poeta na parede atrás da mesa do professor. Após a exibição do filme, os poemas de Whitman tornaram-se mais conhecidos, além de sua obra, “Folhas de Relva”, ter sido publicada no país.
Outro autor que passou a ser conhecido foi C. S. Lewis, após a exibição da trilogia “As Crônicas de Nárnia”. Até então, o autor não passava de um célebre desconhecido da maioria do público brasileiro. O filme, que foi um grande sucesso por aqui, serviu para tornar este autor conhecido.
Sucesso maior conheceu J. R. R. Tolkien. Autor conhecido e respeitado em vários países, era praticamente desconhecido no Brasil, passando a ser admirado apenas após sua trilogia, “O Senhor do Anéis”, ter sido transformada em filme e ser exibida por aqui. Vários de seus livros, como “O Hobbit”, também foram editados no Brasil, antes mesmo que “O Hobbit” fosse transformado em filme.
Michael Crichton, autor de obras como “Congo”, “Sol Nascente” e “Parque dos Dinossauros”, também alcançou sucesso com seus livros após estes terem sido exibidos nos cinemas, principalmente o filme “Parque dos Dinossauros”, que alcançou grande sucesso de público. “Congo” e “Sol Nascente”, apesar de também terem virado filme e terem sido exibidos no Brasil, não alcançaram o mesmo sucesso de “Jurassic Park”.
Isaac Asimov, bastante conhecido dos fãs de ficção científica, tornou-se mais conhecido do grande público após seus livros terem virado filmes, tais como “Eu, Robô”, com Will Smith no papel principal, e “O Homem Bicentenário”, com Robin Williams.
Arthur C. Clark, outro ícone da ficção científica, tornou-se conhecido após seu livro “2001, Uma Odisseia no Espaço” ter virado um filme homônimo. Com o sucesso deste filme, vários de seus livros começaram a ser publicados.

Cinema e literatura já andam de mãos dadas há muito tempo. Vários autores tiveram seus livros transformados em filmes. É o caso de “Drácula”, de Bram Stoker; “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess; “1984” e “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell; “A Guerra dos Mundos” e “A Máquina do Tempo”, de H. G. Wells; “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago. Ficaríamos durante dias citando exemplos, portanto iremos parar nestes acima citados. Vários autores, principalmente fora do Brasil, passam a ser reconhecidos pelo seu talento literário antes mesmo que seus livros virem filmes (quando viram). Porém, principalmente no Brasil, por ter um apelo mais popular, o cinema faz com que autores passem a ser conhecidos após seus livros virarem filmes de grande sucesso. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos ditos “pacíficos” têm acabado em violência e vandalismo

A onda de protestos que se dizem “pacíficos” têm, normalmente, acabado em violência e vandalismo por todo o Brasil. Com raríssimas exceções, os manifestantes acabam entrando em confronto com a polícia, deixando feridos de ambos os lados e vários patrimônios particulares e públicos depredados. Muitas pessoas têm criticado atitude da polícia – que é truculenta, sim –, mas esquecem-se de que, em vários casos, a violência tem começado por parte dos manifestantes.
Durante os protestos, as pessoas aproveitam-se para liberar todas as suas frustrações, raivas, rancores, invejas. Quem não tem carro, depreda o carro de alguém (que, talvez, até esteja participando do protesto); quem mora em um barraco, joga pedra e incendeia uma casa melhor que a dele; quem tem pouca comida, aproveita-se para roubar supermercados. E camuflam esse vandalismo sob a capa da “indignação”.
Nesse período, muitos mitos e muita demagogia tem sido veiculada por parte de pessoas da imprensa: por exemplo, a de que o povo brasileiro é pacífico, é trabalhador, é honesto.
Vamos por partes: se o brasileiro fosse pacífico, não terminaria os protestos provocando violência, agredindo pessoas e nem depredando o patrimônio alheio. Levaria seus cartazes, gritaria palavras de ordem, até mesmo xingaria os políticos que roubam a população. Mas não incendiariam carros nem destruiriam prédios públicos e particulares.
Segundo ponto: se o brasileiro fosse trabalhador, estaria nas ruas reclamando da falta de emprego e exigindo que os governantes criassem mais postos de trabalhos, como Lula prometeu que faria, e não fez; estaria cobrando um salário mínimo decente; não viveria postando, nas redes sociais, reclamações de que o dia seguinte já é segunda-feira; médicos não faltariam aos seus plantões; professores não faltariam tanto e nem chegariam tão atrasados para as aulas; menos pessoas escolheriam o caminho “mais fácil” do tráfico de drogas e da prostituição. Ninguém vai às ruas exigir que se criem mais postos de trabalho, mas correm às ruas quando ouvem dizer que o governo vai suspender o bolsa-família.
Terceiro ponto: se o povo brasileiro fosse honesto, não haveria tanta corrupção no país. Sempre se põe a culpa nos políticos e nos empresários, culpando os “ricos” de serem gananciosos e desonestos. Muitos deles são. Mas não são apenas os ricos que fazem corrupção. Pessoas pobres vendem seu voto em troca de uma dentadura, uma consulta médica ou um milheiro de tijolo para construir um “quartinho”; pessoas pobres compram objetos que sabem que são roubados, mas compram assim mesmo porque vai pagar menos do que se comprar na loja; pessoas pobres fazem “gato” na água, luz e tv a cabo, e ainda se gabam disso; pessoas pobres dão e aceitam propina se acharem que isso vai lhes trazer algum benefício.
O brasileiro fura a fila do banco, leva atestado médico falso para justificar faltas no trabalho, suja as ruas e reclama quando chove e os bueiros estão entupidos, consome produtos dentro do supermercado e depois joga em algum canto e sai sem pagar. O povo reclama da violência, mas arranja brigas que poderiam facilmente ser evitadas.
Na tv, demagogos aparecem dizendo que uma minoria provocou a violência. Se, realmente, é uma “minoria”, por que a maioria não os impede de iniciar o confronto? Se é uma minoria, por que vemos, pela tv, tantas pessoas enfrentando a polícia ou quebrando e incendiando objetos nas ruas? Pode até ser verdade que uma “minoria” procure iniciar o quebra-quebra, mas é inegável que a “maioria” adere à violência incitada pela “minoria”.
O povo tem que protestar, sim. Devíamos ter começado a protestar quando o Brasil se candidatou para ser sede da Copa do Mundo. Todo mundo sabia que a Copa do Mundo serviria de pretexto para aumentarem a roubalheira que já grassava pelo país. Porém, ao invés de protestar, o povo sai às ruas para comemorar quando saiu o anúncio oficial de que o Brasil seria sede do torneio. Saímos às ruas para comemorar quando divulgaram as cidades-sede (menos o povo das cidades que não foram escolhidas).
Agora devemos protestar contra as desonestidades que presenciamos todos os dias. Devemos levar nosso protesto até as urnas e não voltar nessa corja que aí está. Mas devemos fazer isso com civilidade, e não com vandalismo.
O povo brasileiro poderá dar um grande passo para frente com esses protestos. Ou um grande passo para trás. A decisão cabe apenas a nós.                           


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Manifestação não é moda. Protestos têm que aparecer nas eleições

A onda de protestos que vêm sendo feitos pelo Brasil tem levado algumas pessoas a dizer que o povo brasileiro “acordou”. Realmente, o povo tem ido às ruas – nem sempre pacificamente, diga-se de passagem – para protestar contra várias arbitrariedades que são cometidas, todos os dias, contra o povo brasileiro. E, finalmente, o povo resolveu mostrar sua insatisfação.
Entretanto, antes de me ufanar e sair à rua marchando e gritando palavras de ordem, algumas considerações devem ser feitas.
Em primeiro lugar, protestos como esses deveriam ter sido feitos quando o Brasil resolveu se candidatar para ser sede da Copa do Mundo. Assim como hoje, naquela época tínhamos necessidades mais urgentes em várias áreas do que sediar o mundial da FIFA.  Porém, todos se uniram na torcida para que a Copa viesse para cá.
Em segundo lugar, protestos contra o aumento das passagens dos transportes são válidos, mas poderiam ser feitos mesmo sem a Copa das Confederações. Além disso, não estamos fazendo protestos apenas por isso, estamos protestando também contra os gastos excessivos feitos para a Copa. Agora é um pouco tarde para isso, já que o dinheiro gasto não vai retornar aos cofres públicos e nem os estádios que estão sendo construídos com dinheiro público passarão a ser construídos com recursos privados.
Em terceiro, não irá adiantar nada fazer todos estes protestos se, nas próximas eleições, votarmos nos mesmos candidatos que aí estão, sendo alvos dos protestos.
Parece que o país acordou. Só espero que não volte a dormir. Espero que se mantenha acordado até as eleições e resolva mostrar seu protesto nas urnas, mudando o cenário que aí está, começando por uma mudança de políticos. Não creio que, com novos políticos, o cenário seja muito diferente. Continuaremos a ter corrupção, a ter o nosso dinheiro mal gerido, a ter transporte, saúde e educação precárias. Mas, pelo menos, os políticos perceberão que o povo não irá tolerar mais esses abusos calado, e poderão até se preocupar em começar a fazer o que deveriam quando nós os colocamos no Poder: lutar por condições melhores para a população.
Essas manifestações não podem parar. Não precisamos ir para as ruas todos os dias para reclamar de alguma coisa, mas devemos manter este mesmo espírito até as eleições, levando os protestos para as urnas, mudando no voto este cenário atual, mostrando que o povo brasileiro, finalmente, acordou.