sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Tensão racial, demagogia e Candomblé “politicamente incorreto”



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O nível de tensão racial que estamos atingindo, que teve início com as quotas para negros e continuou com os exageros do “politicamente correto”, acabará em confronto entre brancos e negros, nas ruas, como acontecia nos Estados Unidos, quando o grupo racista Ku Klux Klan enfrentava grupos de negros e membros dos Panteras Negras? Os negros, antes oprimidos, agora valem-se do ‘politicamente correto’ para oprimir os brancos, impondo palavras e termos considerados ‘apropriados’.
É claro que no Brasil sempre houve racismo. Negros eram tratados de maneira vergonhosa, muitas vezes proibidos de entrarem em determinados lugares, “exclusivos” para o uso de brancos. Graças aos esforços de grupos de Direitos Humanos, Ordem dos Advogados, lideranças negras etc., essa vergonha começou a ser banida e os negros começaram a ocupar o seu devido lugar na sociedade, passando a ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão.
Porém, os exageros que começaram a surgir e que estão se transformando em uma “ditadura das minorias” – que, muitas vezes, nem são “minorias” –, que nos proíbem de falar certas palavras simplesmente porque alguns imbecis enxergam racismo e preconceito em tudo, estão começando a criar uma onda de racismo até mesmo em pessoas que antes não o tinham. E o pior é que esse racismo é de mão dupla: dos brancos em relação aos negros e dos negros em relação aos brancos.  
E as pessoas não percebem que isso tudo não passa de uma manipulação dos nossos governantes e de políticos que não estão interessados em resolver, de fato, o problema, mas sim de dar a impressão de que querem fazê-lo.
O caso das famigeradas “cotas”, por exemplo. Por quê criar cotas?
A ideia de se criar cotas surgiu com a constatação de que negros e pobres não tinham a mesma chance que brancos e ricos – geralmente, brancos ricos. Assim, a cota daria essa chance às minorias – embora, no Brasil, nem negros nem pobres sejam minorias.
Muito justo, não é mesmo? Não, não é nada justo! O que, de fato, o governo deveria fazer, seria dar mais qualidade à educação pública. Se fizesse isso, os negros e pobres, e, principalmente, os negros pobres, teriam mais condições de competir com alunos de escolas particulares. Porém, para não mexer em vícios e mordomias já enraizadas na educação pública, o governo preferiu criar cotas que não adiantam muita coisa. Você pode colocar um negro na Universidade, porém, sem preparo, ele não conseguirá acompanhar o ritmo dos estudos e acabará desistindo. Afinal, por que o governo divulga o número de negros que entram nas faculdades devido às cotas, mas nunca divulga o número dos que se formaram? Porque, nesse caso, veríamos a discrepância e a ineficiência dessa medida demagógica.
O problema do racismo é uma questão cultural e não serão leis que irão extingui-lo. As leis irão, apenas, escondê-lo. Devido às leis, ninguém poderá se manifestar de maneira racista, mas poderá pensar de maneira racista.
A única coisa que irá acabar com o racismo contra negros e outras raças; contra o preconceito contra homossexuais, mulheres e idosos; contra a violência doméstica e infantil, é uma educação eficiente, que faça o indivíduo pensar, refletir e perceber a imbecilidade e a inutilidade de ser racista, preconceituoso ou violento.
Investir em educação, e não em medidas demagógicas, é a única solução para que possamos resolver esses problemas que, infelizmente, ainda existem e, em alguns casos, estão até mesmo se intensificando.
Só falta os defensores do “politicamente correto” dizerem que o candomblé é racista e preconceituoso por chamar sua entidade de “preto velho”. O correto seria chamá-la de “afrodescendente da terceira idade”. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Por que esconder o rosto durante os protestos?



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Um fato que vem causando muita discussão e polêmica tem sido a questão de não se permitir pessoas mascaradas durante protestos e manifestações. Segundo orientações, a polícia poderá abordar e pedir um documento de identificação de pessoas mascaradas e, até mesmo, detê-las. Diante disso, várias pessoas se mostraram revoltadas.
Porém, uma pergunta que se poderá fazer é: se as manifestações são um direito legítimo do cidadão, por que esconder o rosto durante protestos e manifestações?
Em um dos últimos atos de vandalismo que assisti pela televisão, vi várias pessoas com o rosto coberto causando depredações e saques, enquanto as que estavam com o rosto descoberto claramente pretendiam, apenas, continuar com o seu protesto.
O que fica bem evidente é que pessoas que se infiltram nas manifestações com a única intenção de realizar violências, depredações e saques, têm o interesse de não serem identificadas e, daí, cobrem seu rosto para dificultar qualquer identificação.
As pessoas que pretendem apenas exercer o seu legítimo direito de protestar contra algo que consideram errado, não se preocupam em cobrir seus rostos. Ao contrário, sentem-se orgulhosas em mostrar a “cara”, mostrar o seu descontentamento contra determinada situação. Normalmente, são os bandidos que cobrem o rosto para realizar seus atos de violência sem serem identificados.
As pessoas que organizam as manifestações pacíficas deveriam exigir que todos os participantes mostrem o seu rosto, proibindo elementos que insistam em participar com o rosto coberto. Os atos de violência, geralmente, prejudicam a própria manifestação, dando-lhe uma característica de uma simples bagunça, ao invés da justa reivindicação que elas almejam.
Manifestações são um direito de qualquer cidadão, mas acho que já é o momento de nos rebelarmos contra a violência – inclusive, já ocorreram várias manifestações contra a violência. Se a manifestação é um justo direito do cidadão, por que cobrir o rosto?
Por acaso, você já viu alguém cobrir o rosto ao ir votar?   

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É correto chamar alguém de afrodescendente?

Atualmente, vemos uma nova “moda” crescendo no mundo inteiro e nos obrigando a ter certos tipos de comportamentos e a dizer ou não dizer certas palavras. É a ditadura do politicamente correto.  
Uma dessas palavras é negro. Mesmo que estejamos nos referindo a uma pessoa negra – e lembrando que a palavra “negro” refere-se a uma raça -, somos obrigados a utilizar a palavra afrodescendente, sob o risco de sermos chamados de racistas.
Mas, afinal, é correto chamar um negro de afrodescendente?
Afrodescendente seria uma palavra a ser empregada a todos aqueles cuja origem remonta à África. E, aí, vale algumas ponderações.
Segundo a ciência, o ser humano nasceu no continente africano. Este seria o berço da raça humana. Foi de lá que todos nós viemos. Assim, independente de sermos brancos ou negros, todos os seres humanos seriam considerados afro-descendentes.
Outra situação seria o caso de um descendente de egípcios. Como o Egito fica na África, um homem branco, descendente de egípcios brancos, seria, também, afrodescendente.
E o descendente de europeus? Ao invés de ser chamado de “branco” ou “caucasiano”, não seria mais ‘politicamente correto’ ser chamado de eurodescendente?
E o candomblé, como fica? É notória, nesta religião africana, a figura do famoso “preto velho”. Neste caso, temos duas palavras “politicamente incorretas”: “preto” e “velho”. Como chamaríamos esta figura, então? “Afrodescendente da terceira idade”?
Só lembrando: branco e preto referem-se à cor da pessoa; caucasiano e negro referem-se à raça. Chamar alguém de preto é apenas designar a sua cor, assim como chamar alguém de branco.
Quem for racista, continuará a sê-lo mesmo que passe a utilizar ‘afrodescendente’, em lugar de ‘preto’ ou ‘negro’. Não são as palavras que tornam alguém racista ou não.         

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O que significa ser “intolerante”?

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Tenho ouvido algumas pessoas criticarem outras, principalmente na imprensa, tachando-as de “intolerantes”. Para isso, baseiam-se em comentários considerados homofóbicos, racistas e por aí vai. Se alguém faz um comentário considerado “antigay”, como foi o caso da atleta russa de salto com vara, Isenbayeva, é logo tachada de intolerante, homofóbica etc.
Mas, afinal, o que é ser intolerante?
Segundo o Dicionário Houaiss, intolerância é a “tendência a não suportar ou condenar o que desagrada nas opiniões, atitudes etc. alheias”. Ou seja, é não aceitar as “diferenças”, mesmo que não se concorde com elas. Ressalte-se isto: ser “intolerante” não é discordar de uma determinada opinião; é não aceitar uma opinião divergente. Ou seja, um indivíduo pode ser ateu, mas pode – e deve – respeitar as pessoas que são religiosas. Isso não quer dizer que ele não possa dar sua opinião contrária às religiões, mas sempre respeitando a opinião daqueles que acreditam em Deus.
O mesmo se aplica aos homossexuais, por exemplo. Uma pessoa pode não concordar com o homossexualismo, mas deve respeitar aqueles que optam – não sei nem se “optar” seria o termo mais adequado – por esta prática. Ele pode não concordar, mas deve respeitar uma opinião divergente. Caso não faça isso, estará sendo intolerante.
Aonde eu quero chegar é que, pessoas que “criticam” outras por considerá-las intolerantes, acabam se tornando intolerantes, também. Elas não aceitam que outras pessoas tenham uma opinião divergente da sua, querem que todos se adaptem à manada, que externem o pensamento “da moda”.
Atualmente, há uma espécie de apelo para que se respeitem as diferenças. Entretanto, o que vemos são pessoas que não respeitam aqueles que pensam diferente, tachando-os de racistas, homofóbicos, machistas, reacionários etc.
O que temos que compreender é o que os discursos – e, no final, tudo se resume a discursos disseminados ao longo do tempo – contra homossexuais e negros, por exemplo, são frutos de um comportamento histórico que não será mudado apenas com Leis, mas sim com a conscientização das pessoas. E, aí, entra o papel da educação, tão negligenciada ao logo do tempo.
No caso dos jogos na Rússia, muitos já falam até mesmo em boicote devido às leis antigays do país. Imposições não vão levar a nada. Um país não vai mudar seus hábitos devido a imposições externas.
O que as pessoas deviam fazer é perceber que os seus discursos contra a intolerância estão “carregados” de intolerância. O que é um contra-senso. Não posso defender a eliminação da intolerância sendo intolerante; não posso defender a liberdade sendo autoritário. Afinal, o autoritarismo também é uma forma de intolerância.
  

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Por que, para as pessoas religiosas, só temos livre arbítrio para fazer bobagens?

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Recebo, pelas redes sociais, várias postagens que transmitem mensagens religiosas, das mais diversas denominações. Até aí, tudo bem. A liberdade de pensamento e, principalmente, a diferença de pensamentos nos ajuda a formar as nossas próprias opiniões, às vezes nos auxiliando a entender assuntos sobre os quais não temos muito conhecimento.
Porém, algo que não pude deixar de notar é a semelhança de pensamento constante nestas mensagens, mesmo quando as pessoas defendem posições religiosas contrárias. Uma delas parece fazer de nós marionetes nas mãos de Deus, já que este define, antecipadamente, tudo que irá acontecer na nossa vida – os muçulmanos, por exemplo, acreditam nisto. Porém, muitas pessoas nos consideram como marionetes quando o que nos acontece é bom. Quando o que nos acontece é ruim, a culpa é nossa.
Vemos isso o tempo todo. Pessoas que vão às igrejas para pedir um emprego, por exemplo, fazem promessas aos santos – nos caso dos católicos – ou pedem diretamente a Jesus – no caso dos evangélicos. E, então, quando a pessoa consegue o emprego, aparece alguém e diz que ele só conseguiu o trabalho porque Deus fez esta “graça” na vida dele. Ou o santo/santa foi o/a responsável por ele ter conseguido o trabalho. Ou seja, o mérito não é da pessoa, e sim daquele para quem ele pediu a graça.
Entretanto, quando a pessoa, depois de muito rezar, orar, pedir, implorar, fazer novenas e promessas, não consegue o emprego, aparece alguém e diz que ele não conseguiu porque não possui merecimento aos olhos de Deus. Ou seja, a culpa por não ter conseguido o emprego é da própria pessoa.
As religiões vêm fazendo isso com as pessoas há muito tempo. Tiram todos os méritos de suas ações, ao mesmo tempo que as fazem se sentir culpadas por suas falhas. Se consigo algo, foi Deus quem deu para mim; se não consigo, a culpa é minha.
Será que as coisas funcionam dessa forma ou, na verdade, somos marionetes, sim, mas não nas mãos de Deus, e sim nas mãos de líderes religiosos que nos manipulam para conseguiram vantagens pessoais e materiais – apesar de pregarem o desapego às coisas materiais para o seu “rebanho”?
E isso ocorre porque as pessoas não se dão o trabalho de “pensar”, mas aceitam passivamente tudo o que os líderes religiosos lhes dizem – mesmo que não façam o menor sentido.


Se somos marionetes nas mãos de Deus ou se temos livre arbítrio para tomarmos nossas próprias decisões, não temos como saber. Mas tenho certeza de que, qualquer que seja a situação, ela vale tanto para nossos acertos quanto para nossos erros.    

sábado, 3 de agosto de 2013

Estado não sabe administrar estádios; Consórcios também não

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A preparação do Brasil para a Copa do Mundo tem trazido algumas novidades e algumas polêmicas: aumento no preço dos ingressos, o que leva a uma elitização das torcidas; proibições absurdas, como a de o torcedor não poder tirar a camisa durante os jogos (na Europa, mesmo no inverno, vemos torcedores sem camisa); proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios; e por aí vai.
Uma das novidades foi a privatização dos estádios outrora públicos, tais como o Mineirão e o Maracanã. O argumento utilizado foi o de que o Estado não sabe gerir estádios de futebol, e que estes seriam melhor administrados pela iniciativa privada. Na prática, porém, não é isso que temos presenciado.
Na final da Libertadores, por exemplo, tivemos uma total desorganização por parte do Consórcio que administra o Mineirão. Filas imensas, ingressos nas mãos de cambistas, preços elevados, falta de policiamento e confusão na hora de entrar no estádio. Resultado: torcedores furaram a fila, pularam cercas e quebraram catracas. Muitos torcedores, que pagaram R$ 500,00 por um ingresso, acabaram não conseguindo entrar no estádio, enquanto outros assistiram ao jogo sem pagar.
No jogo entre Fluminense X Cruzeiro, no Rio de Janeiro, a situação não foi muito diferente da que ocorreu em Minas. Apesar de o público ser bem menor que o do jogo do Atlético-MG pela Libertadores, formaram-se filas quilométricas na hora de entrar no Maracanã e muita gente teve dificuldade em comprar ingresso na hora ou trocar ingressos comprados pela Internet. O mesmo ocorreu um dia depois, no jogo Botafogo X Vitória. Ou seja: os Consórcios não estão preparados para administrar jogos que tenham público acima de 10.000 torcedores.
Além disso, várias promessas que foram feitas não foram cumpridas. Uma delas foi a de “mobilidade urbana”. Por “mobilidade urbana” pensou-se que seriam feitas obras que melhorassem o fluxo do trânsito, evitando engarrafamentos. Várias pessoas tiveram suas casas desapropriadas para que pudessem ser feitas obras da tal mobilidade urbana. E o que acontece quando tem jogo? O governo pede que as pessoas vão para o estádio de ônibus ou metrô, para não causar engarrafamentos. Ruas próximas aos estádios são fechadas para desencorajar torcedores mais teimosos que insistam em ir no seu próprio carro. Cadê a tão propalada “mobilidade urbana”? O que melhorou no trânsito? De que adiantaram as desapropriações?
Pelo o que temos visto, não são apenas estádios que o governo não sabe administrar. O governo não sabe é ADMINISTRAR! E as privatizações não têm adiantado muita coisa. O Maracanã, por exemplo, custou cerca de 1 bilhão e 200 milhões de reais (dinheiro que dava para construir um excelente estádio do zero, mas que foi gasto apenas na “reforma” do Maracanã), mas foi repassado ao Consórcio por 700 milhões. 500 milhões do nosso dinheiro ficaram pelo caminho. E para quê? Para termos um estádio que, em termos de atendimento, está pior do que era antes.
O estádio está lindo, está confortável, ninguém mais é obrigado a assistir aos jogos em pé ou sentado em um bloco de cimento desconfortável. Porém, o torcedor tem dificuldade para chegar ao estádio, é obrigado a enfrentar filas imensas e, muitas vezes, não consegue o ingresso ou só o consegue quando o jogo já está pela metade. O torcedor paga o preço total do ingresso e só assiste a meio jogo.
Os estádios são de primeiro mundo, e os preços dos ingressos também. Mas o atendimento continua sendo de terceiro mundo, de país subdesenvolvido. E, enquanto isso, o nosso futebol vai caindo pelas tabelas, agonizando e respirando por aparelhos.

Vamos ver se estas cenas irão se repetir no jogo Vasco X Botafogo.               

domingo, 28 de julho de 2013

Marcel Duchamp: quando um mictório vira “arte”



Mesmo as pessoas que não são estudiosas da “arte” já ouviram falar do ato de Marcel Duchamp que incluiu um mictório em uma exposição de “arte”. O gesto, a princípio, causou estranheza e muitos, até hoje, não conseguiram entender a sua intenção. Na verdade, longe de pretender apenas chocar, Duchamp quis, com este gesto, mostrar que arte é tudo aquilo que passa pela aceitação das instituições abalizadas, que determinam o que é arte ou não.
Se pararmos para pensar o que realmente é arte, veremos que essa não é uma resposta fácil. Na verdade, o conceito de arte varia com o passar dos séculos e com as mudanças sociais e tecnológicas que naturalmente vão ocorrendo. Um bom exemplo disso é a fotografia. Nos seus primórdios, a fotografia era vista como um simples processo mecânico de fixação de uma imagem. Ela não dependia da sensibilidade e do trabalho do artista. Era só apontar aquela engenhoca e pronto! Tínhamos uma foto de uma paisagem, de um animal ou de uma pessoa.
Com um quadro a coisa era diferente. O artista observava ângulos, luzes, cores. Podia incluir elementos que não participavam da paisagem natural, como aves voando ou nuvens. O quadro era um ato de criação; a fotografia era apenas a produção de uma máquina. Hoje, entretanto, a fotografia adquiriu ‘status’ de arte e existem várias exposições de fotógrafos famosos pelo mundo todo.
Mesmo elementos que foram criados com outros fins que não o “artístico”, acabam virando arte. Máscaras utilizadas em rituais de tribos africanas ou indígenas brasileiros, que foram confeccionadas com propósitos religiosos, acabam sendo expostas em alguma galeria ou em uma exposição fotográfica e passam a ser consideradas arte, desvirtuadas de seu propósito inicial. O teto de muitas igrejas, com suas pinturas com motivos religiosos, passam a ser considerados arte.    
A música é uma arte, mas nem toda música é considerada arte; livros são arte, mas nem todos os livros são considerados artísticos; e o mesmo vale para quadros, estátuas, dança. Muitos edifícios, por seu projeto arquitetônico ousado, são considerados como sendo arte, enquanto outros não. Uma pintura rupestre, que contava o dia-a-dia do povo pré-histórico, hoje em dia é considerada arte. A pintura surrealista, durante muito tempo, não foi considerada como sendo arte; o verso livre, também.    
Ou seja, arte é tudo aquilo que passa a ser aceita como tal por instituições sociais: museus, galerias, bibliotecas, pinacotecas. O que está fora destas instituições não é arte. Daí compreende-se o gesto de Duchamp: um mictório em seu banheiro não será olhado por você como um objeto de arte; porém, se ele estiver em um museu ou em uma galeria, você irá dizer que a intenção do artista é a de mostrar o lado animal de todos nós, ao compor aquela obra.
Aceitamos como arte o que as instituições “abalizadas” nos dizem que é arte. Neste caso, o mictório de Duchamp, em um museu ou galeria, torna-se o mais genuíno objeto de arte.